Num Mundo cada vez mais global e competitivo, com o ritmo frenético a que tudo acontece, com a necessidade e busca pelo ser o mais forte, a sociedade negligencia e marginaliza, não raras vezes, os mais vulneráveis. Face aos desafios deste ‘Mundo Novo’, também a economia social, o Estado social, o tecido institucional da área social e da área governativa necessita de se adaptar e acompanhar o ritmo por forma a que ninguém fique esquecido ou entregue a uma condição frágil e desigual, não respeitante da dignidade da pessoa humana. 

Foi com plena consciência desta realidade, da atualidade e urgência na necessidade de acompanhamento desta realidade por parte do poder legislativo (pede-se celeridade e efetividade) e executivo (Estado com atuação mais urgente e funcional), sabendo que muitas das vezes não e uma realidade, que a JSD Distrital de Lisboa abraçou o desafio de olhar e aprofundar desafiante Área Social, por forma a propor medidas realistas e efetivas que melhorem todo o funcionamento deste campo. 

Estando por dentro desta realidade, há alguns anos, tal como os meus colegas que colaboraram neste documento, apercebemo-nos que há aspetos transversais que necessitam de ser melhorados (‘Sem-abrigo’, deficiência motora e mental, funcionamento das IPSS, etc.). Temos aproximadamente 5000 IPPS em Portugal, sendo necessária o estabelecimento de uma rede funcional sem duplicações e falhas a nível das instituições . O grande problema da Área Social continua a ser a falta de pensamento de “rede”, da transparência a 100% para credibilização das instituições (só agora tem vindo a publico casos mediáticos, mas quem esta por dentro já conhece os ‘podres’ há muito) e a não medição “in extremis” do impacto social de cada medida e do trabalho de cada instituição e da soma das partes. 

Existe uma dicotomia entre quem vê a Acão Social como um ‘sonho’ e quem a vê como uma área que precisa, urgentemente de ser profissionalizada. Eu próprio, quando há 5 anos comecei a trabalhar neste Mundo tinha também uma perspetiva mais utópica daquela que apresento hoje em dia. Se o sonho e a paixão são fundamentais para desenvolver coisas grandes, e tantas são desenvolvidas pelas instituições em Portugal, e também necessária uma perspetiva racional, equilibrada, de escrutínio permanente e diria profissionalização da Área Social. Há muito para melhorar, e esperamos com este documento poder contribuir para uma área tao imprescindível e cara para nos, ate pela matriz humanista que marca o nosso ADN social-democrata.

Pedro Colaço

Coordenador do Gabinete de Ação Social