O Ministro do Ensino Superior Manuel Heitor, viu aprovado em Conselho de Ministro no dia 15 de Fevereiro uma medida que visa equipar as licenciaturas realizadas antes da reforma de Bolonha, as chamadas pré-bolonha, a mestrados, os antigos bacharéis, serão equiparados a licenciaturas, supostamente para efeitos de concursos e não só. Este refere que não se trata de atribuir graus académicos, mas sim de uma equiparação aos mesmos.

Será esta uma medida razoável, ou justa, ou será ela mesma digna de ser uma medida?! 

A tese que defende esta medida assenta essencialmente no número de anos de estudo no Ensino Superior. Será base suficiente para alicerçar esta medida os anos dos ciclos de estudo?

Não me parece, pois não faz qualquer sentido só porque uns tiveram mais 1 ou 2 anos no Ensino Superior que outros, que estes sejam melhores ou os outros piores, ou que o ensino foi mais ou menos exigente, e se se formaram melhores ou piores académicos/profissionais. 

O número de anos não equivale à exigência. Os alunos “Bolonha” não são avaliados 1 vez por ano, as disciplinas não são anuais, são semestrais. Os alunos são obrigados a ir às aulas, obrigados a ter avaliação continua que inclui testes e trabalhos e ainda têm de fazer exame à unidade curricular, tudo isto vezes dois, no mínimo. As instituições que não o fazem, não aplicam “Bolonha”.

O argumento de ser mais 1 ano ou menos 1 ano não cola! Vejamos o empregado que passa 10h na empresa, mas no final do dia produz menos do que o empregado que “só” lá está as 8h diárias. 

Ao contrário do que é, ainda, a maioria do pensamento português, a quantidade não é qualidade e  nem é exigência.

Esta equiparação é mais um ataque directo a todos os jovens estudantes do Ensino Superior! Em traços largos esta medida subentende – “No meu tempo é que era bom, e vocês saem da Universidade/Politécnico sem saber nada”. 

Meu caro Ministro do Ensino Superior, tenha decoro, e no caso como não o tem, proponha o que realmente quer. Anule o Processo de Bolonha, voltemos ao modelo antigo, já que esse é que era perfeito, e este é tão fraco que um Mestre equivale a um Licenciado. 

Confesso, seria a melhor solução para qualquer Socialista, aliás, o problema de Bolonha aos vossos olhos não é a qualidade do ensino, o problema é o número inferior de menos anos que os estudantes passam no Ensino Superior. É um problema, mas porquê? 

Financiamento das Instituições do Ensino Superior – o eterno problema.

Demografia diminui, alunos menos tempo nas Instituições de Ensino Superior, menor necessidade de manter todo o corpo docente, inadequação do corpo docente à realidade das unidades curriculares, e menos horas de trabalho para o corpo docente.

Assim, com este downgrade aos licenciados e mestres “bolonheses”, obriga o Ministério a que os alunos se inscrevam sucessivamente no ciclo de estudos superior. Alunos Mestres serão Licenciados, mas e os alunos que se Doutoraram? Serão eles também Mestres? 

O que o Sr. Ministro quer é que estejamos mais tempo no Ensino Superior, não para sermos melhor qualificados, mas para continuarmos a sustentar o Ensino Superior. 

Este é o real problema, o resto foi manipulação da população e a sempre fácil guerra geracional.

Vasco Teles Touguinha

Vice-Presidente da JSD Distrital de Lisboa e Coordenador do Ensino Superior