O ano de 2017 ficou marcado pela candidatura nacional à Agência Europeia do Medicamento (EMA) que, devido ao “Brexit” teve que abandonar Londres para se deslocar para uma outra cidade europeia que reunisse as condições ideais para acolher este importante organismo.

Se em Maio deste ano a Assembleia da República aprovou o Voto de Saudação n.º 306/XIII/2.ª  em que assumia Lisboa como a cidade candidata a receber a EMA, volvido um mês surge o nome do Porto, a necessidade de descentralizar e o recuo na posição dos deputados, nomeadamente os do círculo de Coimbra, Braga e Porto, que afirmavam agora que Lisboa não poderia ser a escolha, por centralizadora e sempre privilegiada, atrasando a igualdade de oportunidades e a coesão territorial.

Com um início de gestão titubeante, arriscaria incoerente, este processo vê surgir o Porto como cidade candidata, numa candidatura que teve concorrência forte de cidades de relevo no panorama do “Velho Continente”. Fui acompanhando o desenrolar dos acontecimentos e há que parabenizar a comissão de candidatura “EmainPorto”, pela boa campanha e esforço desenvolvido até ao último dia, mas nem sempre podemos vencer todas as batalhas, tendo saído vitoriosa a cidade de Amesterdão.

Na sequência da não vitória mencionada, aparece então nome do INFARMED. Uma notícia surpreendente para quem trabalha na área devido ao seu “timming” e motivos que conseguimos deduzir “a priori”. Passando a análise mais “mainstream”, muito mais do que apressar processos de descentralização do INFARMED, e sabemos como a descentralização tem que estar no topo das prioridades governativas, convém recordar que todos os dias, há largos anos, as farmácias e hospitais do nosso país enfrentam uma lista infindável de medicamentos esgotados (crónicos, agudos, para recém-nascidos, crianças, doentes graves), cuja supervisão cabe precisamente a este organismo. Ora um Governo que devia ter como preocupação o acesso dos portugueses a todos os medicamentos do mercado, garantido que o INFARMED tivesse todos os meios (junto da Ordem dos Farmacêuticos, Ordem dos Médicos e restantes Ordens profissionais do sector da saúde, da Associação Nacional das Farmácias, do Ministério da Saúde, dos laboratórios, dos distribuidores, farmácias, hospitais, etc.) para o combate a este flagelo (o dia-a-dia é de “passa-culpas” entre cada agente responsável mas a equação é multifactorial, as “culpas no cartório” dividem-se entre INFARMED, exportação, Indústria, Distribuição, Ambulatório, Hospitalar, sendo que não é obviamente a origem do problema que interessa aos doentes mas a solução final) tem como preocupação principal a sua boa imagem política e os prémios de consolação para gestão da guerrinha Norte-Sul. 

Mais uma vez, a população (e claro os cerca de 900 trabalhadores dos quadros do INFARMED) sai prejudicada, sendo mais um processo que desde o seu início foi mal gerido, transmitindo uma imagem negativa para o exterior e uma fragilidade anormal do Governo.

Estamos a falar da Saúde dos portugueses, que deve estar no topo das prioridades de quem governa um país, acima de qualquer agenda partidária ou pessoal.

Pedro Colaço, Vogal da JSD Distrital de Lisboa

Lisboa, 6 de Dezembro de 2017