O mês de Agosto não se faz só de sol, festas e descanso, assim, demos o mote ao novo mandato da JSD Distrital de Lisboa junto de importantes decisores políticos. Reunimos com as três federações estudantis do Distrito, a Associação Académica de Lisboa, a Federação Académica de Lisboa, e a Federação Académica do Instituto Politécnico de Lisboa.

O objetivo foi claro: ouvir aqueles que representam as Associações de Estudantes de Lisboa, que por sua vez representam os cerca de 160 mil estudantes.

Estas estruturas estudantis têm como principal foco, a defesa dos estudantes do nosso Distrito, sejam eles residentes, estrangeiros ou deslocados, e recebam ou não apoios sociais.

Assim, escutámos em viva voz as várias posições já tomadas por estas estruturas quer a nível local quer a nacional, e quais os principais desafios que estas preveem. 

Das 3 reuniões, existiu um denominador comum, o problema da habitação dos estudantes, fosse habitação social ou não. O problema é real, não há oferta nas residências estudantis dos Serviços de Ação Social, e o valor por quarto/casa na zona de Lisboa estão acima da capacidade da maioria dos estudantes, levando estes a endividarem-se, ou a passar por muitas dificuldades no decurso da sua vida estudantil. 

A habitação é um dos grandes temas do nosso mandato, não fosse esse um problema transversal a todos os jovens, estudantes ou não. Efetivamente residimos num Distrito de difícil emancipação, pois se por um lado é razoavelmente fácil encontrar trabalho na nossa área de formação ou vocação (mesmo que seja, infelizmente, mal pago), por outro lado o salário auferido fruto do nosso trabalho é manifestamente insuficiente para, sozinhos, pagarmos uma renda e viver.

O Ensino Superior em Portugal enfrenta e irá continuar a enfrentar diversos desafios, desde logo a internacionalização do nosso Ensino, o seu modelo de financiamento que se encontra obsoleto, bem como o estado da atual rede de Ensino e a sua oferta formativa, e irá manter-se o registo se nada for feito. Pergunto-me se devemos continuar a formar à “bruta” ou com um verdadeiro planeamento estrutural do País? Sim, porque o Ensino Superior tem de ser um pilar estrutural na evolução do nosso País.

Carece também de esclarecimento se a contínua aproximação do Ensino Superior Universitário e do Ensino Superior Politécnico é para manter a binariedade no Sistema de Ensino Superior, ou ao invés, esta aproximação contínua dos subsistemas tratar-se-á de uma pré-fusão para a criação de um único Sistema de Ensino Superior. Será que a binariedade continua a fazer sentido? Será que hoje a diferença entre subsistemas se mantem? Um jovem do secundário quando se candidata ao Ensino Superior tem noção dessas diferenças, ou apenas escolhe a licenciatura que deseja completar? E, será que atualmente esta binariedade é favorável aos estudantes ou aos professores e Instituições de Ensino Superior?

Contudo muitos destes desafios e dúvidas não são de agora, são já de algum tempo, e o pior é que o tempo passa, mas os desafios mantêm-se, e infelizmente não se vislumbra uma estratégia do decisor político.

A JSD Distrital de Lisboa continuará presente na defesa dos interesses dos jovens do seu Distrito.

Vasco Teles Touguinha,

Vice-Presidente da JSD Distrital de Lisboa e Coordenador do Ensino Superior