Aspiramos a um ensino de virtudes, onde o aluno se sinta bem e onde o conceito de escola seja tido como uma referência na integração do indivíduo na sociedade. 

A realidade é que, nos dias que correm, os alunos passam mais tempo na escola do que com a família, em casa e, consequentemente, o estabelecimento de ensino deve ser um espaço onde o aluno se sinta bem.

Para tal, é preciso algo tão simples como isto: que cada um de nós tenha a possibilidade de estudar numa escola boa, isto é, numa escola sem problemas estruturais ao nível da construção, devidamente equipada para a prática do desporto, do teatro ou do cinema, e com ferramentas tecnológicas modernas para as ciências ou as matemáticas.

Assim sendo, convém não esquecer a importância da seguinte premissa: diferentes oportunidades dão origem a resultados diferentes, o que, de certa forma, põe em causa o princípio de igualdade plasmado na Constituição Portuguesa. 

Por outras palavras, uma má escola “produz” maus resultados, comprometendo, deste modo, o direito a uma educação de qualidade, favorecedora da tão apregoada “igualdade de oportunidades”. 

Posto isto, importa, pois, ter bem presente que quando há, lado a lado, uma “escola boa” e uma “escola má”, o risco de discriminação/desigualdade social aumenta para os estudantes que tiveram o “azar” de “calhar” “na escola má”, isto é, numa escola a necessitar urgentemente de obras, de salas condignas, bem como, de ferramentas tecnológicas que funcionem sempre que tal se afigure necessário.  

Perante isto, talvez seja oportuno recordar que os estudantes que se deparam todos os dias com a “realidade de estar numa escola má” têm menos condições para estudar, apesar de terem as mesmas exigências letivas e de exames daqueles colegas estudantes que estão na “escola boa”.

Tal facto deveria envergonhar qualquer cidadão, uma vez que a desigualdade de oportunidades provoca assimetrias sociais, e, como tal, não contempla uma ideia de educação que privilegie o desenvolvimento pleno das competências do ser humano.

Perante esta diferença entre “escolas boas” e “escolas más”, o que faz o Governo Socialista? Eis a resposta: apregoa que defende a igualdade, mas cativa as verbas que permitiriam requalificar as “escolas más”. Pasme-se! Como pode, então, um governo, que assim pensa e atua, exigir sucesso educativo pleno?! Exigir que todas escolas tenham bons resultados?! 

Por exemplo, a escola que frequento, a Secundária de Azambuja, que foi construída em 1974, é provisória há 40 anos, ou seja, há quatro décadas que espera por obras de fundo.

Nela, não há um pavilhão gimnodesportivo ou campo de jogos com piso adequado. Não há balneários com chuveiro, nem sala de convívio ou um espaço destinado à Associação de Estudantes! Também não há cacifos em número suficiente — apenas 9 para cerca de 800 alunos—, pelo que “carregamos” quilos de livros, dia após dia!

É isto a Escola Secundária de Azambuja… A única escola secundária do Concelho de Azambuja e desgovernada por uma câmara municipal socialista desde 1985!

Para terminar, e perante o exposto, pergunto: com esta base de partida, como podem os estudantes da Escola Secundária de Azambuja ter a mesma motivação que os estudantes de outras escolas? Escolas essas repletas de espaços acolhedores, de condições propícias ao desenrolar de atividades letivas que potenciam o sucesso educativo e a formação integral dos alunos. Pergunto, ainda, como podem os estudantes das “escolas más” concorrer ao ensino superior em “pé de igualdade” com os estudantes das “escolas boas”? Igualdade?! A existir, existe, apenas e só, no facto de todos os estudantes aguardarem, com ansiosa expetativa, no final do ano letivo, os resultados quer das notas, quer dos exames nacionais. 

Por isso, a nossa obrigação é simples: defender um ensino de excelência, acessível a todos, que não esteja dependente da origem social, da capacidade económica do agregado familiar, da terra onde se vive ou das condições da escola onde estuda.

Constança Lopes
Membro do Gabinete do Ensino Básico e Secundário da JSD Distrital de Lisboa