A habitação é, hoje, um dos maiores desafios
do nosso Distrito. Sendo em si mesmo um fenómeno complexo e com várias facetas,
há um grande tema que tem ocupado a Distrital e (mais recentemente) a principal
rotunda de Lisboa.

Em Setembro de cada ano, há uma tendência
garantida: a busca desesperada de casa por parte dos estudantes universitários.
Quando são divulgadas as colocações do Ensino Superior, aumenta o grau de stress de todos aqueles que
(frequentemente pela primeira vez) saem de casa para se mudar para a capital.
Este ano em particular, os dados oficiais apontam para 450 euros por mês de
preço médio de arrendamento por quarto particular no nosso Distrito. Tendo em
conta que o salário mínimo nacional não chega a 600 euros, o desespero dos
estudantes que em Setembro de 2018 são colocados em Lisboa é particularmente
justificado.

Como se estes números não fossem suficientes,
as histórias que nos vão chegando dão nota de estudantes a alugar camas (em
quartos partilhados) por 500 euros, a ficarem alojados em hotéis, a dormirem em
carros ou a fazerem percursos de várias horas para a universidade. Mesmo os
poucos que têm a sorte de conseguir vaga numa residência universitária são
frequentemente confrontados com condições insuficientes, como uma cozinha para
cada 50 pessoas ou falta de wifi.

Esta realidade, escondida pelos dados oficiais
que em si já são suficientes para tirar o sono a milhares de pais, evidencia o
futuro para o qual vamos caminhando. Corremos o risco de chegar ao ponto em que
só estuda em Lisboa quem é de Lisboa. Esta seletividade forçada ofende
profundamente a nossa crença na igualdade de oportunidades. É lógico que
existem muito boas oportunidades para estudar fora da capital e que a
deslocalização poderia beneficiar o interior. Mas sejamos realistas: hoje em
dia, a maioria dos estudantes está nos centros urbanos e dificilmente se irá
inverter esta tendência a curto prazo. É por isso necessário encontrar soluções
imediatas.

Na sua rentrée, a JSD Distrital de Lisboa
procurou alertar para os custos de estudar no nosso Distrito, tendo lançado um outdoor provocador na Rotunda do
Marquês. É essencial continuar a insistir neste tema, e já avançámos com uma
solução na qual nos revemos: a criação de um pólo residencial universitário. A
petição pública que lançámos tem como objetivo promover esta discussão que, ano
após ano vai sendo esquecida à medida que os alunos encontram soluções para o
seu alojamento. Sendo concretizada, a nossa petição pública deve, a meu ver,
garantir flexibilidade; a infraestrutura criada deve ser passível de adaptação
para habitação particular, ajustando-se assim às diferentes fases do ciclo
económico em termos de oferta e procura de habitação para estudantes e
habitação permanente.

Resta-me comentar que no início de Setembro o
Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior anunciou a assinatura de
protocolos para o aumento de 1.500 camas para universitários. Tendo em conta
que se estimava faltarem cerca de 100.000 camas, tudo indica que vamos repetir
esta discussão anual ao longo da próxima década. É urgente que o Governo seja
realmente ativo na procura de soluções efetivas que reponham a igualdade de
oportunidades de estudo no nosso Distrito e acabe com as dores de cabeça de
todos os que estudam nas nossas Universidades.


Mariana Coelho,

Coordenadora do Gabinete de Habitação da JSD Distrital de Lisboa