Como muitos, também eu tenho andado na correria de ver os filmes nomeados para os Óscares. A qualidade cinematográfica, a prestação dos atores, mas sobretudo… As histórias. Então se forem retratos da história real do nosso mundo ainda me prendem mais ao ecrã. Cativa-me o impacto que a decisão de um homem ou de uma mulher, seja em que circunstância for, pode ter – seja na sua casa, na sua aldeia, na sua cidade, no seu país ou no mundo.

 Houve dois filmes que mexeram especialmente comigo. O The darkest hour que é um filme sobre a nomeação de urgência de Winston Churchill para primeiro-ministro britânico em plena 2ª guerra mundial. Churchill depara-se com a necessidade de decidir uma de duas coisas: aceitar um tratado de paz com a Alemanha e com Hitler, subjugando-se às suas regras, ou declarar guerra, e à custa de muitas vidas, lutar pela independência do seu povo. Não menos emocionante, o filme The Post, em que Katharine Graham (proprietária do famoso jornal “The Washington Post”), mulher bem relacionada com os homens de poder, tem de tomar a decisão de publicar ou não publicar toda a documentação ultra-secreta sobre a Guerra do Vietname e o envolvimento Americano. A possível publicação significaria além de ir contra o mandato do Governo de Nixon (que proibiu esta publicação), estaria a ir também contra um amigo pessoal.

O que seria hoje do mundo se Churchill se tivesse rendido a Hitler? O que seria hoje do mundo se Katharine Graham não tivesse publicado toda a verdade?

O que será do mundo se nos demitirmos de ser Cidadãos?

Cada cidadão não é apenas mais um cidadão. Cada um de nós tem o extraordinário poder de com uma decisão, um voto, uma intervenção, poder mudar muito – seja na nossa casa, na nossa aldeia, na nossa cidade, no nosso país e neste que é o nosso mundo.

A esta inquietude (no sentido antagónico de ficar “quieto”) perante o mundo e a sociedade, participando ativamente nela, contribuindo com o nosso tempo em prol do bem comum, chama-se Cidadania. 

Ao olhar à minha volta, sinto que muitos estão adormecidos do poder das suas decisões. Muitos estão adormecidos quanto a este Dever que é o exercício da Cidadania. Uma Cidadania Ativa e responsável é tanto um Dever quanto um Direito. Não podemos continuar a agir, como se de ilhas isoladas nos tratássemos. Afinal, todos respiramos oxigénio! Todos fazemos parte de um todo. Quanto menos poluído estiver o ar para ti, menos poluído estará para mim. A promoção do bem comum através do incentivo da igualdade de oportunidades seja pela política, associativismo, voluntariado, organizações não-governamentais ou outras plataformas de cidadania, é do mais nobre que uma mulher ou um homem pode fazer pela Humanidade.

Assim como o sol está para o verão também a educação está para a Cidadania. Citando Malala Yousafzai: “Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo”. A pureza do coração de uma criança é indubitável. É o substrato mais puro que temos no mundo. Se a estes corações chegar a importância do Bem Comum e da nobreza da Cidadania, estou certa que na sua idade adulta, serão motores da Democracia – porque, para que a Democracia exista realmente, tem de ser uma real expressão da vontade de todos os Cidadãos. Tem de ser uma expressão de uma sociedade comprometida com Bem Comum. 

As histórias destes filmes tornaram-se emblemáticas pela audácia dos seus protagonistas. Mas, quantos foram aqueles que ao longo da história da humanidade, tomaram decisões que determinaram o futuro – hoje, presente – do mundo para algo que não o melhor?

Chegada a hora de questionarmos se tudo fazemos ao nosso alcance para contribuir para o Bem Comum. Se somos protagonistas audazes a querer escrever histórias (reais) com finais felizes. Se estamos efetivamente a cumprir o nosso papel como Cidadãos do mundo. Há uma resposta certa: podemos todos fazer mais. Esta é a hora. A hora de “sermos a mudança que queremos ver no mundo.” Tu também podes!

Raquel Baptista Leite

Coordenadora do Gabinete de Cidadania e Sistemas Políticos