Requiem à (I)mobilidade em Lisboa

Apesar do passe “Lisboa Viva”, o trânsito em Lisboa dá, cada vez mais, vontade de morrer.

Na cidade, circulam todos os dias mais de 745 mil carros, que para além de congestionarem as principais avenidas, ocupam como estacionamento todos os locais que – ainda – não têm uma placa da EMEL.

Para além do transporte individual, dentro do concelho, lisboa é servida pelo Metropolitano e pela Carris. 

Relativamente ao Metro, confirma-se que não há uma política estratégica definida, conforme já tive oportunidade de dizer aqui: ora se defende uma linha circular, como de seguida se pensa em ligar o aeroporto a Entrecampos, estratégia que afinal não passava de um lapso, quando aquilo que realmente se quer e que promete acabar com o excesso de carros na cidade é a expansão do metro para as Amoreiras e Campo de Ourique: cada cabeça sua sentença, com orçamentos elaborados e estudos ambientais aprovados. Podem acusar Medina de muita incompetência, mas ninguém lhe pode negar a criatividade. A questão é que enquanto o Presidente da Câmara adormece a contar carruagens de metro, o problema continua a existir e a sentir-se na pele de cada um de nós.  

Outro dos alegados não-problemas é o estado de falência (não só financeira, mas também de meios) da Carris: Lisboa continua a aguardar os novos 250 autocarros que todos os fins de ano são prometidos, mas os 632 milhões de euros em dívida que o Estado englobou, parecem revelar-se um impedimento silencioso. 

Mas o problema da mobilidade é algo que não existe, ou fazendo o exercício de olhar para as promessas socialistas das últimas duas décadas, não passaria de uma história do século XX. Quem ouve os discursos de Medina fica na dúvida quanto à sua sanidade, e duvida se todos aqueles minutos que espera para conseguir entrar numa carruagem do metro lotada, ou aqueles momentos de trânsito parado não são apenas fruto da sua imaginação.

Miguel Ribeiro Henriques

Vogal da JSD Distrital de Lisboa