Muito se fala no concelho de Loures sobre mobilidade, embora ao longo dos últimos anos tenha sido uma temática com muita “conversa” e pouca “ação”. A incompetência do poder político local levou a que o concelho de Loures seja caracterizado como um dos mais pobres a nível de transportes públicos dentro da Área Metropolitana de Lisboa, onde a utilização de carro próprio é uma obrigatoriedade, especialmente na zona norte do concelho. 

Em Loures não há EMEL, o estacionamento é controlado e regulado pela Loures Parque, empresa que taxa todo e qualquer lugar de estacionamento no concelho. Este facto é visível nas diversas localidades da Freguesia de Loures, e mais evidente ainda, talvez devido à sua pequena dimensão de quase 2 km2, na Freguesia de Moscavide e Portela.

Mas não fica por aí!

A falta de transporte público em quantidade e qualidade, com devida intermodalidade, obriga a que os cidadãos que entram ou saem de Loures tenham de utilizar transporte próprio ou privado. Só a localidade de Moscavide é perifericamente servida pelo metropolitano, não sendo à falta de ao longo dos anos se terem realizados inúmeros pedidos fundamentados, para que a linha amarela se estenda até à cidade de Loures, ao Prior Velho e a Sacavém. Santo António dos Cavaleiros, com uma elevada densidade populacional, é conhecida pelas enormes esperas entre autocarros, não possuindo qualquer ligação directa à outra localidade da mesma União de Freguesias: Frielas. Já nem falando de freguesias como Lousa e Fanhões, onde o serviço de transporte público está muito longe de responder às necessidades e expectativas das populações, nomeadamente fora das horas de ponta.

Assim, partilho uma reflexão que todo o lourense exerce aquando a necessidade de sair de Loures:

Isto não passa apenas por uma questão ambiental, mas também para que os habitantes do sexto maior concelho do país em população se possam movimentar com qualidade e segurança. Isto claro, sem preços incomportáveis, para que se possam libertar as estradas lourenses através de um aumento dos transportes colectivos.

Ricardo Calado
Vogal da JSD Distrital de Lisboa