O município de Oeiras, conglomerado de diferentes localidades, é frequentemente descrito como entre Cascais e Lisboa. Mais realista seria descrevê-lo como entre a Linha de Cascais e a Linha de Sintra.

Junto à costa, interligado pela Linha de Cascais, está um grupo de bairros de maior densidade. Acima destes, a A5 potenciou a expansão suburbana. Mais a norte, entre a A5 e a Linha de Sintra encontram-se territórios como Porto Salvo ou Barcarena: rarefeitos e com diversas utilizações. Em Oeiras, há que perceber as opções de mobilidade território a território.

Na faixa da Linha de Cascais, a escolha é entre o carro, via A5 ou Marginal, ou o comboio. O carro apresenta mais comodidade e liberdade, e custos bem acrescidos. O comboio na Linha de Cascais é ainda, no entanto, uma opção viável.

Na faixa da A5, os residentes optam entre o carro, ou, em algumas partes, os autocarros até ao Marquês de Pombal. Ambos se vêm confrontados com trânsito, e escolher o autocarro significa não saber se/quando passa o próximo, se demora 30 minutos ou 1h30.

Nos territórios a norte, o transporte colectivo é uma opção teórica: com poucas carreiras e longas deslocações, os residentes escolhem o automóvel. 

O automóvel hoje é, apesar dos problemas de trânsito e estacionamento, claramente a melhor opção. O problema surge para os que não o conseguem suportar – como os jovens – e que têm de passar 2/3 horas por dia em transportes. Para que todos consigam participar numa sociedade verdadeiramente meritocrática, este modelo de mobilidade tem de ser corrigido.

Carlos Brazão

Coordenador do Gabinete de Mobilidade da JSD Distrital de Lisboa