À semelhança de outras cidades europeias, a Área Metropolitana de Lisboa vive hoje problemas de congestionamento de tráfego, que constituem um problema diário para todos os que aqui se deslocam. Nos últimos anos, assistiu-se a um aumento da utilização de transporte individual, sendo que este aumento é maior quando se verifica a importância que o uso do transporte individual tem nas deslocações pendulares casa-trabalho e trabalho-casa: de acordo com um estudo da Câmara Municipal de Lisboa, entram na capital 370 mil carros por dia, aos quais se devem acrescentar 375 mil de quem já reside na cidade. 

Mas este estudo da CML também identifica soluções, nomeadamente a necessidade de mais e melhor investimento nos transportes públicos, bem como conclui que os concelhos à volta da cidade de onde vêm menos carros são aqueles que dispõem de transporte pesado: metropolitano e comboio. 

Com um estudo em mãos, que identifica problemas e aponta soluções, estamos em crer que não serão necessários doutoramentos em engenharia dos transportes e da mobilidade para que se apontem soluções: ordena o bom senso que se reproduzam as boas práticas e diminuam os focos problemáticos, ou seja, o investimento nos transportes públicos tem que ser de uma vez por todos otimizado, nomeadamente na sua rede estruturante: o metropolitano e o comboio. Não podemos, portanto, aceitar as falsas promessas anuais de que “em 2018 vamos ter mais 250 autocarros em circulação”: palavra não honrada mas repetida para 2019, na esperança de que, entre um engarrafamento e outro, os utentes se esqueçam daquilo que lhes foi garantido no ano anterior. 

Infelizmente, o problema não são apenas as mentiras eleitorais, mas também os devaneios recorrentes, resultado da falta de estratégia: Não é com a “invenção” de uma linha circular do metro que se resolvem os problemas atuais – note-se que esta criação britânica já foi abandonada pelo seu país de origem há décadas, chegando mesmo a ser considerada «aberrante».

Pelo exposto, é imperativo que a política de transportes e mobilidade em Lisboa seja repensada: urge impedir a aplicação de propostas infundadas, cujo insucesso se encontra devidamente comprovado. 

Ultrapassadas as dificuldades de uma intervenção financeira externa, todos merecemos o respeito pelos contributos que colocamos à disposição do poder instalado. A área metropolitana de Lisboa merece mais e melhor mobilidade. Isso significa uma rede de transportes pensada para toda a metrópole e para os seus 2,8 milhões de habitantes, e não para os 500 mil eleitores da Câmara Municipal de Lisboa.

Por tudo isto, tem que se dizer não à linha circular, tem que se dizer não a um mau investimento no Metropolitano na ordem dos 270 milhões de euros, digo não a promessas vazias. 

Por tudo isto, apenas se pede aquilo que deve nortear a conduta de todos os que gerem o dinheiro público: respeito, seriedade e bom senso.

Miguel Ribeiro Henriques

Vogal da JSD Distrital de Lisboa